Vivemos em uma época de evolução tecnológica constante, seja para a comunicação, economia de energia, ou facilidade em serviços estamos sempre atrás de novos smartphones, novas conexões, novos aplicativos que tornam o dia a dia mais prático e novas experiências. Com todos esses avanços, e outros que estão por vir, o modo com que os profissionais projetam a luz nos ambientes também está mudando.

Comumente nos cursos de luminotécnica básica uma das primeiras coisas que aprendíamos eram os tipos de lâmpadas, quais suas características e para quais ambientes elas eram indicadas. Assim, formamos milhares de profissionais que projetavam muito bem a iluminação porque conheciam todas essas fontes de luz. Sabiam exatamente como era o efeito que ela iria proporcionar, qual a temperatura de cor, se fariam os objetos se destacarem ou não, como se comportariam no ambiente e qual a percepção que teriam para os seres humanos.

No entanto, com todo o avanço da tecnologia, estes profissionais e os que estão iniciando suas carreiras nesta área, agora precisam fazer os projetos com estes mesmos parâmetros, porém utilizando a iluminação em LED. Afinal, como é que a gente reproduz aquele efeito na parede que usava a lâmpada dicroica de 36° com 80 cm uma da outra, mas agora com uma luminária LED? Será que a luminária vai produzir o mesmo efeito? Como será a cor? E se queimar, o cliente não vai poder trocar a lâmpada?

Por causa destas perguntas, uma das primeiras formas de tornar a tecnologia mais acessível e facilitar a adaptação de seu uso, é que surgiram as lâmpadas LED. Desta maneira, se elas reproduzissem quase que fielmente as lâmpadas comuns, todos conseguiriam utilizá-las.

No início sofremos com produtos de baixa qualidade. Quem é que nunca teve aquele cliente que não queria nem ouvir falar em LED porque ele já teve a experiência de comprar uma lâmpada com esta tecnologia e cada uma vir com uma temperatura de cor diferente e depois, ainda, queimarem todas?

Por isso, assim como falou uma palestrante em um dos encontros do LEDFórum, percebemos que as lâmpadas LED são um produto de transição, até que as luminárias integradas e os módulos de LED se tornem a forma mais comum de usar essa tecnologia na iluminação artificial.

Afinal, não faz mais sentido usar o LED com soquetes e uma carcaça para só depois utilizá-lo dentro de uma luminária, não faz sentido comprar lâmpadas LED porque quando queimarem ainda poderá reaproveitar a luminária. Oras, mas o LED não é para durar o triplo da lâmpada comum? E a lâmpada LED não seria o equipamento eletrônico mais caro da sua luminária?

Profissionais que acompanham esse movimento já estão acostumados a projetar pensando nas novas tecnologias. Mais do que conhecer lâmpadas é preciso saber qual é o fluxo luminoso da luminária, qual o ângulo de abertura, qual a fotometria, como a fonte de luz reproduz as cores… E assim vamos evoluindo junto com a transição da tecnologia. É como aprender a andar de bicicleta novamente, porém de um jeito novo.

É preciso treinar a visão e adaptar a nossa percepção para saber qual efeito terá a luminária apenas vendo a quantidade de lumens e a sua fotometria.

Talvez você sinta certa dificuldade em se adaptar a mudança, talvez nossos cursos de luminotécnica também não tenham se adaptado ainda, mas uma coisa é certa: o jeito de pensar a luz mudou!

 

Artigo por:
Priscila Mercial
Lighting designer
Grupo Lumicenter Lighting